Resenha #19 – Ainda Estou Aqui – Marcelo Rubens Paiva

Oi Gente, e aí? A resenha da vez é um livro que acabou com o meu emocional! Uma leitura marcante que me tocou profundamente.

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Autor: Marcelo Rubens Paiva

Editora: Alfaguara

Páginas: 296

Gênero: Biografias e Memórias

Acabamento: Brochura

Classificação: 5/5 ❤

 

 

 

 

Sinopse: Eunice Paiva é uma mulher de muitas vidas. Casada com o deputado Rubens Paiva, esteve ao seu lado quando foi cassado e exilado, em 1964. Mãe de cinco filhos, passou a criá-los sozinha quando, em 1971, o marido foi preso por agentes da ditadura, a seguir torturado e morto. Em meio à dor, ela se reinventou. Voltou a estudar, tornou-se advogada, defensora dos direitos indígenas. Nunca chorou na frente das câmeras. 

Ao falar de Eunice, e de sua última luta, desta vez contra o Alzheimer, Marcelo Rubens Paiva fala também da memória, da infância e do filho. E mergulha num momento negro da história recente brasileira para contar — e tentar entender — o que de fato ocorreu com Rubens Paiva, seu pai, naquele janeiro de 1971.

(Fonte: Objetiva)

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Em Ainda Estou Aqui, podemos acompanhar a história do autor, em ricos detalhes, sobre como foi difícil à fase em que o pai, deputado Rubens Beyrodt Paiva, foi levado da própria casa, para ser torturado durante a ditadura de 64. E acompanhar a mãe, Eunice Paiva, se reerguendo e tornando-se advogada, defensora dos direitos dos Índios e sempre em busca da verdade: O que aconteceu com Rubens Beyrodt Paiva?

Ao longo do livro, vemos muitos depoimentos, artigos de jornais, cartas, o que deixa o livro com aquele tom “peguei e não consigo mais largar!”. Fiquei ansiosa o tempo todo, tentando ler o livro o mais rápido que podia. A cada página, os relatos ficavam cada vez mais com um tom de crítica forte, cheia de amarguras, sobre toda a situação, do ponto de vista de Marcelo, ainda criança, sem entender nada, e adolescente\adulto, inconformado com o rumo da história.

Passava o dia em estresse metafísico xingando a estupidez do que via na TV, a mentira, a perda de tempo, a grosseria, lendo jornais, revistas, a grosseria nas ruas. Era um cara que via mais falhas no homem do que virtudes. (pág. 186)

A “verdade” sustentada era que Rubens Beyrodt Paiva tinha sido preso, mas fugiu, e então se tornou desaparecido. Mas para Eunice, essa “verdade” nunca foi aceita. Lutou a vida toda para provar que seu marido tinha sido torturado e assassinado, e o corpo nunca tinha sido encontrado. Tornou-se então defensora de pessoas injustiçadas, e nunca chorou diante das câmeras. Sempre se mostrava de cabeça erguida, o que para ela, era uma forma de vingança.

Já estudei tanto em história, vi filmes, li livros, mas o assunto “Ditadura Militar de 64 no Brasil” ainda me deixa horrorizada. A crueldade que os presos eram submetidos, me deixa sem palavras, perto de tamanha violência e maldade. Marcelo cita nomes dos evolvidos, mostra como a mídia abordou o assunto e bem no finalzinho (calma, não é spoiler) traz a transcrição do processo de denúncia.

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Enquanto o autor continua trazendo mais fatos sobre o desaparecimento do pai, ele nos mostra a nova luta que Eunice vinha enfrentando, a luta contra o Alzheimer. Marcelo, e toda a família começam a perceber que Eunice já não é mais a mesma. Num relato emocionante, o autor mostra o desafio que a família enfrentava para conviver com a doença da mãe, de uma forma carinhosa (confesso que chorei bastante em algumas passagens) Senti uma admiração enorme pela Eunice. Gente, que mulher guerreira! Passar por aquilo tudo e continuar de cabeça erguida! Não chorar em frente às câmeras, foi militante pelos direitos humanos e abraçou a causa indígena!

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Sei que é um livro que não agrada a todos, pois tem muita história e é biográfico, mas não dá para ler e ficar indiferente a história. Ela nos toca profundamente! É impactante, marcante, e por mim, todos deveriam ler.

A tortura existiu em arenas romanas, em masmorras da Idade Média, em castelos, pelourinhos, foi patrocinada por imperadores, reis e papas, ditadores de esquerda e de direita. Existe quando um Estado precisa subjugar seus inimigos. Apesar de ser considerado crime hediondo, inafiançável, continua existindo. Por que a tortura nunca acaba? Serve para quê? (pág. 111)

 

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Beijinhos e até a próxima :*

3 comentários sobre “Resenha #19 – Ainda Estou Aqui – Marcelo Rubens Paiva

  1. Geo! Parabéns pela resenha, você soube se expressar tão bem! Super concordo com vc quando diz: “Já estudei tanto em história, vi filmes, li livros, mas o assunto “Ditadura Militar de 64 no Brasil” ainda me deixa horrorizada. A crueldade que os presos eram submetidos, me deixa sem palavras, perto de tamanha violência e maldade.” Li esse livro no ano passado e ele acabou comigo, teve momentos que precisei parar chorar e respirar bem fundo, é tão triste, tão real, tão verdadeiro! É uma leitura que eu considero obrigatória, quantas pessoas hoje que querem a volta da ditadura, fiquei me perguntando sobre isso, quantas pessoas foram torturadas e mortas de forma tão cruel, é lamentável 😦 Não preciso nem dizer que esse livro se tornou um dos meus livros preferidos da vida né? Bjos ❤

    Curtido por 1 pessoa

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