[Junho LGBT+] Resenha #31 – Morangos Mofados – Caio Fernando Abreu

Olá leitores, tudo bem? Comigo está tudo ótimo, obrigada! Hoje nós vamos falar sobre um livro que é um dos meus queridinhos há anos e eu já estava louca para comentar sobre ele com vocês. O nome do livro é Morangos Mofados do meu lindão Caio Fernando Abreu.

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Autor: Caio Fernando Abreu

Editora: Saraiva de Bolso

Páginas: 168

Gênero: Contos

Acabamento: Brochura

Classificação: 5\5 ❤

 

 

 

 

 

Sinopse: “Morangos não deixa de revelar uma enorme perplexidade diante da falência de um sonho e da certeza de que é fundamental encontrar uma saída capaz de absorver, agora sem a antiga fé, a riqueza de toda essa experiência”, analisa Heloísa Buarque de Holanda, em texto que prefacia a obra. Nesta coletânea, os contos são agrupados em duas partes além do conto-título ao final. A parte “O mofo” expõe a repressão à liberdade e traz à tona os mais profundos sentimentos dos indivíduos. Em “Os morangos” vemos uma saída para os traumas impostos pela sociedade. No conto-título do livro, conforme arremata Heloísa, a “clareza quanto à urgência de um novo projeto (sonho) que inclui um acerto de contas com o real”.

(Fonte: Saraiva)

 

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Caio Fernando Loureiro de Abreu (1948-1996) ou Caio Fernando Abreu como é mais conhecido, foi um escritor, dramaturgo e jornalista brasileiro. Caio estudou Letras e Artes Cênicas, porém abandonou ambos os cursos para se dedicar ao jornalismo. Suas obras abordam temas como amor, sexo, hibridismo, morte, medo e solidão entre outros temas que costumavam ser tabu em sua época. Sua literatura é intensa assim como foi sua vida. Os movimentos contraculturais serviram de grande inspiração para Caio. Foi perseguido e censurado durante a ditadura militar tendo que se esconder na casa de ninguém menos que Hilda Hilst, além de ter ficado exilado na Europa.

Caio é considerado um dos maiores representantes da contemporaneidade brasileira, devido a sua escrita repleta de assuntos inovadores para época. Dois anos antes de sua morte ele publicou no Jornal Estado de São Paulo uma série de três cartas chamadas “Cartas Para Além dos Muros”, onde ele revelou ser portador de HIV o que na época ainda era uma doença tratada como tabu e não possuía tratamento adequado.

Caio Fernando Abreu nos deixou obras maravilhosas que ultrapassaram o seu tempo e ainda hoje serve de inspiração para a comunidade LGBT. Viva Caio!

 

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Esse livro (e o próprio Caio também) me influenciou bastante, tanto na escrita como na minha vida pessoal. Me peguei chorando várias vezes ao lê-lo pois alguns contos me tocaram em cheio como toda a obra e vida desse escritor.

“Num deserto de almas também desertas, uma alma especial reconhece de imediato a outra.”

– Aqueles dois

Nessa obra  é possível ver o quanto Caio era sensível, poetico, direto, visceral e melancólico e são essas coisas que me fizeram me encantar por essa é outras obras de Caio.

“Já li tudo, cara, já tentei macrobiótica, psicanálise, drogas, acupuntura, suicídio, ioga, dança, natação, cooper, astrologia, patins, marxismo, candomblé, boate gay, ecologia, sobrou só esse nó no peito, agora faço o quê?”

Morangos Mofados possui uma narrativa psicológica e fragmentada. É dividido em três partes, sendo elas: O mofo, Os Morangos e Morangos Mofados. Foi publicado em um momento de democratização da política brasileira em decorrência ao fim da Ditadura Militar do Brasil, tendo então influências desse período histórico.

Na primeira parte (O Mofo), é possível perceber que os contos falam sobre a Ditadura e a falta de liberdade da época. Como eu disse na biografia, ele foi vítima desse período obscuro sendo censurado e perseguido.

Já na segunda parte (Os Morangos) em diante, o escritor nos revela um fio de esperança, coisa que difere está obra das demais escritas por ele.

A homossexualidade e o homoerotismo são abordados de forma bastante aberta e estão presentes nos contos “Sargento Garcia” e “Aqueles Dois”. Pode haver outros mas no momento eu não me recordo.

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Ao final do livro existe uma carta que Caio Fernando Abreu enviou para um grande amigo José Márcio Penido que assim como ele era jornalista. Nesta carta (Caio amava enviar e receber cartas), o autor conta sobre o processo de criação de Morangos Mofados e várias outras coisas de seu cotidiano. Vale a pena lê-la e conhecer um cadinho do Caio.

“Oficializar o já acontecido: perdi um pedaço, tem tempo. E nem morri.”

– Morangos Mofados

Espero que tenham gostado, um abraço e até a próxima resenha!

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